O CESEEP recebe com profunda tristeza a notícia do falecimento de Graciela Chamorro, ocorrido na madrugada do dia 10 de fevereiro de 2026.
Assessora do Curso de Verão e do Curso Latino Americano de Ecumenismo e Diálogo Inter Religioso, Graciela construiu uma trajetória profundamente comprometida com os povos indígenas, com a educação, com a pesquisa crítica e com a construção de caminhos interculturais de fé, história e justiça.
Nascida em Concepción, no Paraguai, onde estudou na Escola Dr Francia e no Liceu Sta. Teresita, mudou se para o Brasil em 1977. Realizou estudos em Música e Teologia no Recife, no Rio de Janeiro e em São Leopoldo, além de História em São Leopoldo. Desenvolveu sólida formação acadêmica, com mestrado em História, doutorado em Antropologia na Alemanha, doutorado em Teologia na Escola Superior de Teologia e Pós Doutorado em Romanística na Universidade de Münster.
Desde 1983 dedicou parte essencial de sua vida ao diálogo com os povos indígenas, especialmente com os povos guarani. Sua produção intelectual articulou religião, língua e história dos povos guarani históricos e contemporâneos, destacando a centralidade da Palavra na espiritualidade guarani como força criadora e princípio vital. Seu trabalho também desenvolveu crítica ao expansionismo cristão, em diálogo com a teologia feminista e intercultural.
Entre seus trabalhos, destacava-se a construção do Dicionário Etnográfico Histórico dos povos indígenas reduzidos pelos jesuítas, em contraponto com a etnografia guarani contemporânea, especialmente nhandeva, kaiowá e mbyá. Também desenvolvia pesquisas junto a pesquisadores e pesquisadoras indígenas falantes das línguas guarani orientais e ocidentais, tendo o Rio Paraguai como referência territorial.
Professora de História Indígena na Universidade Federal da Grande Dourados, deixou marca profunda na formação de estudantes, pesquisadores e comunidades.
No CESEEP, sua presença foi generosa, crítica e inspiradora. Contribuiu de forma significativa para os processos formativos no campo do ecumenismo, do diálogo inter religioso e da educação popular, fortalecendo uma perspectiva enraizada no território, na memória e na dignidade dos povos.
Hoje, fazemos memória com gratidão por sua vida, sua obra e sua caminhada ao lado dos povos originários, das comunidades de fé e dos processos populares de formação.
Que sua vida seja semente que seguirá brotando no solo do nosso chão e no coração dos povos. Seguimos em mutirão, fazendo memória viva de quem nos ensinou a escutar as línguas, a terra e os povos.


