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 CAIXA DOIS, CASO DE POLÍCIA

 

 

Nos últimos dias, temos visto, lido e escutado envolvidos na Lava Jato, como réus, delatores ou testemunhas, tentarem justificar o caixa dois. É como se os racistas de hoje alegassem que brancos discriminarem negros foi um costume que atravessou os 350 anos de escravidão no Brasil, e não se pode erradicá-lo de uma hora para outra…

Caixa dois é crime. É ilegal, escuso e injustificável. Reforça e oficializa a hipocrisia eleitoral: nós votamos, o caixa dois elege! Um recurso abusivo de tornar a democracia mera falácia e entregá-la às mãos do poder econômico.

A fonte do caixa dois evita a doação legal por motivos que se somam: lavar dinheiro; sonegar o fisco; comprar o mandato do político que no futuro garantirá vantagens; e assegurar a vitória eleitoral do beneficiado sobre os políticos que não contam com iguais recursos.

Qual deputado ou senador, prefeito, governador ou presidente ousou contrariar os interesses de quem abasteceu o seu caixa dois? Um corrompe, outro se deixa corromper.

Caixa dois não é caso de política. É caso de polícia.

 

Frei Betto é escritor, autor do romance “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.

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