As primeiras duas semanas da 43ª edição do Curso Latino-americano de Formação Pastoral foram marcadas por discussões aprofundadas e experiências enriquecedoras. A edição de 2025 aborda o tema “Saúde mental como direito humano: desafios e caminhos possíveis para as igrejas e pastorais”, buscando oferecer uma resposta proativa a um problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
O curso reúne participantes de cinco países da América Latina — Bolívia, Brasil, Cuba, México e República Dominicana —, em uma parceria com importantes organizações como o Centro Martin Luther King (Cuba), Associação Cantareira (Brasil), Missão Paz (Brasil) e SEFRAS (Brasil). A metodologia da Educação Popular, inspirada em Paulo Freire, guia a construção coletiva de saberes, onde os participantes aprenderam e ensinaram uns aos outros, valorizando principalmente suas experiências.
Início e Acolhimento: O Bloco I
A primeira semana, de 4 a 10 de agosto, foi dedicada à acolhida, integração e análise de conjuntura. Os participantes foram calorosamente recebidos através de celebrações de abertura e momentos de partilha. Visitamos ao Museu do Imigrante e ao Pateo do Collegio que proporcionaram uma imersão na história e na cultura local, enquanto a discussão sobre “A saúde mental como direito humano”, com a assessoria de Lídia Maria de Lima, deu início às bases teóricas do curso.
A pluralidade de crenças também teve seu espaço, com momentos de ecumenismo e diálogo inter-religioso com Wagner Lopes Sanchez.
Aprofundamento e Vivências: O Bloco II
A segunda semana, de 11 a 16 de agosto, mergulhou no panorama da ação eclesial e na crise psicológica. Assessorados por José Oscar Beozzo e Jorge Miklos, os participantes debateram a atuação da igreja frente à saúde mental na América Latina, Caribe e África, e aprofundaram a compreensão sobre o impacto do mal-estar na classe trabalhadora, um desafio crucial para a ação pastoral.
Acompanhado pelo Pe. José Oscar Beozzo, o grupo visitou o Centro Comunitário Santa Dulce dos Pobres. O objetivo da visita foi conhecer o trabalho do Padre Júlio Lancellotti, dedicado a dar apoio a pessoas em situação de rua.
O grupo ajudou na distribuição do café da manhã e teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a história do centro. O local oferece uma biblioteca e computadores com acesso à internet que podem ser usados para lazer, comunicação com a família e estudos.
O Encerramento da semana foi com vivências práticas. Dayana Carneiro falou sobre as políticas públicas de atendimento e práticas integrativas em saúde mental. Pe. Dionisio Moormannb. Essa imersão prática permitiu que os participantes vissem de perto como as abordagens holísticas podem ser aplicadas em comunidades e movimentos sociais, buscando soluções concretas para os desafios discutidos.
A equipe Cantareira, liderada por Juçara Terezinha Zotts, recebeu o grupo em sua sede na Brasilândia, em São Paulo. O grupo teve a oportunidade de participar de um programa de rádio e conhecer alguns projetos da instituição.
Assista ao programa de rádio a seguir:
Alcance e Impacto Híbrido
É importante destacar que esta edição do curso teve um alcance ainda maior. Além dos participantes presenciais, a assessoria de alguns dias está sendo transmitida de forma híbrida para 120 inscritos de 12 países: Angola, Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Peru, República Dominicana e Uruguai. Essa modalidade ampliou o debate, permitindo que as reflexões e experiências do curso chegassem a um público diverso e global, reforçando o compromisso com a saúde mental como um direito humano fundamental.
O curso continua com a missão de ir além das estatísticas, oferecendo informações, mas, acima de tudo, capacitando os líderes pastorais e sociais para que possam transformar a realidade de abandono e o descaso com as políticas públicas de saúde mental em suas comunidades.