Em meio à pandemia que colocou de pernas para o ar o mundo em que vivemos, colocando a nu as entranhas de um sistema econômico, político, social e ambientalmente insustentável, há um clamor que não pode mais ser abafado.
Ele brota dos nossos povos que “querem sonhar juntos em construir irmandade, harmonia, integração, esperança para garantir a paz e a felicidade das novas gerações”. Assim se exprimiu o novo vice-presidente da Bolívia, David Choquehuanca, do povo aymara, no discurso de posse do novo governo.
O papa Francisco advertiu, com toda força, na sua encíclica Fratelli tutti: “Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona
na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinida-
mente a tranquilidade” (EG, n. 59). E acrescentou ainda: “Quando se trata de recomeçar, sempre há de ser a partir dos últimos” (FT 235).
Evocou também a figura de São Francisco como uma inspiração para hoje: “São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne. Semeou paz por toda parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes,
descartados, dos últimos” (FT 2).



