Cursistas se organizam para vir de longe ao Curso de Verão

Larissa Pirolla, 18 anos, veio da cidade de Bom Jesus (MG) em um grupo de cinco pessoas para participar da edição deste ano do Curso de Verão. Ela conta que a paróquia católica que frequenta organizou inicialmente uma rifa para custear a viagem e as inscrições, o que só foi possível com a ajuda de toda a comunidade e de outras pessoas de Bom Jesus. “A gente percebeu que não ia conseguir o dinheiro necessário para custear a vinda de três jovens. Conversando com o nosso pároco, decidimos fazer um bingo. A comunidade se mobilizou. Quando acabou, comemoramos muito. A gente vê a esperança que eles têm na juventude”, afirma.

A jovem, que participa pela primeira do Curso e está na tenda (oficina) “Diálogos Ecumênicos e Inter-religiosos”, acredita que o fato de 2018 ser um ano eleitoral ajudou a conquistar o apoio das pessoas de sua cidade, para quais ela e outros jovens da PJ (Pastoral da Juventude) apresentaram um folder do Curso de Verão e explicaram qual era a proposta. “Tudo o que foi falado no (teatro) TUCA (da PUC-SP) são realidades que a gente vivencia e que é discutido na nossa tenda”, afirma.

O grupo de Larissa é um de vários outros grupos que participam neste ano do 31º Curso de Verão na PUC-SP, entre os dias 9 e 17 de janeiro, em São Paulo, e que apresenta o tema “Ética e participação popular na política a serviço do bem comum”. Entre os 308 cursistas nesta edição, há pessoas vindas dos Estados de Minas Gerais, Amazonas, Paraná, Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Rio Grande do Sul.

Encontro e experiências

Fernanda Chaves, 26 anos, é moradora da comunidade quilombola “Baixão” da cidade de Vitória da Conquista (BA) e veio participar do curso em um grupo de cinco pessoas da cidade, que organizou rifas como forma de financiamento. Fernanda recebeu uma bolsa do CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Educação e Evangelização Popular) concedida por meio de convênio com o curso pré-vestibular quilombola onda ela estuda. A jovem participa do Curso pela segunda vez motivada pela experiência de encontro e de respeito entre diversas culturas. “Estou feliz, você já entra no curso imaginando como fazer para voltar novamente, porque você se encontra aqui. O Curso de Verão é onde você inicia o ano e recarrega as energias para encarar tudo o que ele tem a te oferecer”, afirma.

Esse encontro é o mesmo experimentado por Ociene de Souza, 15 anos. A indígena da tribo Tikuna veio do interior do Amazonas com um grupo de dez pessoas oriundo das cidades de São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tonantins. A viagem a São Paulo durou dois dias e foi feita por meio de uma lancha e de um avião. “É bom, é a primeira vez que estou participando do Curso de Verão. A gente se reencontra aqui. É legal participar, pois a gente encontra pessoas de outras comunidades”, afirma. O padre missionário paulistano Isaías Daniel, responsável por organizar o grupo, conta que houve gastos em torno de R$ 18 mil para custear a participação do grupo. A arrecadação foi possível por meio de padrinhos no Estado de São Paulo e com a doação de paróquias e de outras pessoas. “É mais do que uma alegria participar do Curso. É uma oportunidade fantástica da gente poder ensinar e aprender, trocar conhecimentos e, no nosso caso, as pessoas têm dificuldade de sair daquele ambiente (interior do Amazonas) por conta do alto custo das passagens e a distância”, relata. 

Participação política

Outro motivo que leva à vinda de diversos grupos se trata da formação possibilitada pelo Curso e a oportunidade de organização. De acordo com Nilda de Assis, coordenadora de cursos do CESEEP, é comum as comunidades e grupos se organizarem todos os anos a partir da necessidade e da formação que o Curso de Verão propõe a eles. “A iniciativa parte da própria comunidade, ONG ou grupos afins. Nos últimos tempos, quem tem se organizado muito são as PJs, os jovens e pequenos grupos nas comunidades e organizações políticas para também fazer do Curso de Verão um momento de encontro deles”, analisa.

Marco Aurelio de Souza, coordenador administrativo do CESEEP, explica que o Curso de Verão é realizado em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e conta com o auxílio financeiro de instituições e outras entidades. O apoio permite a manutenção de um preço reduzido na taxa de inscrição e a concessão de bolsas. Além da bolsa concedida tradicionalmente para grupos formados a partir de cinco cursistas, foi realizado neste ano o sorteio de uma bolsa pelas redes sociais. “O sorteio foi um dos mecanismos de envolver as pessoas antes do Curso. É uma riqueza difícil de achar em outro evento como esse. Essa integração é uma riqueza quer só vendo, só participando você vai ter acesso”, afirmou.

Mauricio Marchi, 31 anos, é monitor da tenda “Danças Criativas” e trouxe um grupo de dez pessoas neste ano para o Curso de Verão vindo da cidade de Rio o Sul (SC). Ele conta que o Curso do ano anterior foi reproduzido em sua cidade, o que irá acontecer novamente neste ano com a proximidade das eleições e o tema da política em pauta.  “É uma região conservadora, vai ser um desafio trabalhar o tema deste ano”, conta ele que viabilizou a participação do grupo com o custeio de diversas comunidades e a concessão de duas bolsas pelo CESEEP.

 

2018-07-12T21:58:56-03:00

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