Nota do Ceseep sobre o crime cometido em Brumadinho-MG

Então vi um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1).

O CESEEP – Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular, manifesta seu repúdio ao crime, chamado de “tragédia”, ocorrido em Brumadinho – Minas Gerais – Brasil.

O que a mídia chama de tragédia ou ainda, de tragédia anunciada, chamamos de crime. Crime contra as pessoas que morreram soterradas pela lama. Crime contra o rio inundado de lama. Crime contra a rica bioversidade presente nas águas e nas margens do rio destruídas pela lama. Crime contra a população indígena que mora e trabalha na beira do rio e dele depende para viver. Crime contra o povo brasileiro. Crime contra a humanidade.

A lama explodiu da montanha e desceu varrendo, com rapidez e furor, a vida existente à sua frente, por onde passou, e vai destruindo ainda, por onde está passando, em seu caminho rumo ao mar. 

A lama é tóxica, mas não é criminosa. Quem matou pessoas, animais e plantas não foi a lama. Foi a empresa mineradora Vale do Rio Doce a responsável principal por esta destruição criminosa em Brumadinho-MG. Os casos de Mariana-MG (2016), e agora de Brumadinho (2019), são exemplos da ganância e da busca desmedida do lucro, sempre colocado acima da vida das pessoas e do meio ambiente. Responsáveis são também aqueles/as que deveriam fiscalizar as empresas que exploram a terra e suas riquezas minerais e garantir a segurança ambiental para as novas gerações e de pessoas que vivem no entorno e trabalham nas mineradoras. As leis não podem ser ignoradas ou flexibilizadas em favor do lucro de poucos e do empobrecimento e morte de muitos.

O CESEEP manifesta também apoio e solidariedade aos familiares e amigos das pessoas que tiveram as vidas interrompidas em seus projetos, em seus sonhos e esperanças. Soma-se a elas em sua luta por justiça e, especialmente por medidas que impeçam novas tragédias, já anunciadas, em outras tantas barragens destas e de outras empresas que exploram o minério do solo brasileiro.

Com todas e todos nas comunidades, nas igrejas, nas religiões e na sociedade civil que se rebelam contra o descaso de empresas e dos governos, o CESEEP defende a necessidade constante de luta pelo respeito à vida humana e pelo cuidado com a natureza e a urgência da denúncia dos crimes cometidos e de seus responsáveis.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, com o tema Casa comum: nossa responsabilidade, trouxe a reflexão sobre a importância de preservar os bens comuns essenciais para a continuidade da vida no planeta e sobre a responsabilidade de todos/as nós para que estes bens comuns sejam compreendidos como bem público, para todas as pessoas. 

O CESEEP reafirma, nesta nota pública, o repúdio à morte de pessoas, à destruição de casas e plantações e à contaminação dos rios, e defende o apoio incondicional às famílias que perderam seus entes queridos nesta tragédia criminosa provocada pela empresa Vale do Rio Doce.

A vida em primeiro lugar! Sempre!

São Paulo, 11 de fevereiro de 2019.

Equipe diretiva e executiva do CESEEP.  

2019-02-11T10:42:26-03:00

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