Lembranças, crenças, cobranças, esperanças e mudanças – Vanin Martins

            1.953 – Com 12 anos resolvi “ser padre”… ou melhor, ir para o seminário “estudar” para ser padre. Estudar o que? Ginásio e colegial. Isto em Lins, uns 200 quilômetros longe de casa. Regime internato. Lá deveríamos ser mais de 100 crianças, adolescentes e alguns maiores na faixa dos 16-18 anos.

            Tínhamos um padre que era reitor, outro que era o diretor de disciplina e mais um diretor espiritual. Além destes, outros padres que eram professores e apenas um professor leigo. Imaginem! no meu primeiro ano, o Diretor de Disciplina foi meu irmão que acabara de ser ordenado padre. Era também o professor de português.

             O espaço bastante amplo e agradável. Tínhamos dois campos de futebol, uma quadra de esportes, mesa de pingue pongue um belo jardim e só faltava uma piscina. Organizavam-se campeonatos, brincadeiras, jogos de xadrez, dama… Orientavam para que não formássemos “panelinhas” nos recreios; constantemente deveríamos mudar de companheiros… o que nem sempre era muito fácil.

            Chamou-me atenção que para nossa alegria, quintas feiras, não tínhamos aulas. Normalmente organizavam passeios e íamos a pé para alguma chácara, de algum conhecido dos padres e que ficasse próxima da cidade. Nas outras quintas organizavam jogos, limpeza geral da casa.  Sábados aulas normais. Todos com o mesmo uniforme, calça comprida amarelo caqui. Camisa de preferência branca. Sapatos e meia.

            Havia dois grandes dormitórios. Uns para os alunos maiores e outro para os menores. Para auxiliar o Padre Diretor de Disciplina nomeavam alguns alunos mais velhos e disciplinados que recebiam o título de “bedel”. Tínhamos um grande auditório com palco que servia também de SALÃO DE ESTUDOS para todos. Lá passávamos a maior parte do tempo depois das aulas.

            Pela manhã diariamente às 6:00hs tínhamos a oração da manhã, pequena meditação feita pelo Diretor Espiritual e a missa celebrada normalmente pelo padre Reitor.

            Só havia uma presença feminina. A velha dona AUGUSTA, cozinheira muito estimada que tinha o AGRIPINO um “quarentão” que lhe era auxiliar.

            Tudo funcionava ao bater do sino que tinha hora para tudo. 

Padre José Vanin Martins 

2019-01-29T09:13:51+00:00

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