Paulo, na sua Carta aos Romanos, coloca dois dos principais fundamentos para o encontro e o diálogo entre diferentes culturas, crenças e religiões.
O primeiro, que Deus não faz acepção ou distinção de pessoas por conta de sua pertença étnica, cultural ou religiosa. Essa afirmação é repetida enfaticamente por Tiago em sua Carta (Tg 2,1-13), mas encontra suas raízes e inspiração no Antigo Testamento: “Nosso Deus não admite injustiças, favoritismos, nem subornos” (2Cr 19,7). O único favoritismo ou parcialidade admitida por Deus é em favor do
desvalido, particularmente do pobre, do estrangeiro, do órfão e da viúva (cf. Dt 10,18-19; Is 1,17).
O segundo princípio é de que haverá honra e glória para quem age bem, praticando a justiça e o direito, pertença ele a esta ou àquela religião, tenha ou não uma crença. Michelangelo pintou com toda dramaticidade e vigor na parede de fundo da Capela Sistina seu Juízo Final inspirado na narrativa do evangelho de Mateus, em que bênção e maldição, salvação e condenação estão ligadas à prática concreta das pessoas, em relação aos pequenos e necessitados: “Então, o rei dirá aos da direita: Vinde benditos de meu Pai…, porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era migrante e me acolhestes…”. Ao espanto dos justos que lhe perguntam: “Quando te vimos faminto e te alimentamos, sedento e te demos de beber, migrante e te acolhemos, nu e te vestimos…?”, o rei responderá: “Eu vos asseguro: o que fizestes a estes meus irmãos menores, a mim o fizestes” (cf. Mt 25,31-46).



