Liturgia de abertura do CV-2017

CV2017_aberturaA – O Curso de Verão tem em sua trajetória, como uma das características principais, a arte. Vemos desde o seu nascimento a preocupação em evidenciar o sentido da arte no centro de sua performance. Podemos até nos divertir copiando um dito popular que

Coro – “O CURSO NÃO NASCEU, ESTREOU”.

G – Meu primeiro contato com o Curso de Verão, como cursista, foi uma revelação. Havia um “que” de mistério naquele espaço de formação e aprofundamento de conteúdo de forma sistemática, reflexiva, e com toques de leveza que só a arte pode oferecer. Essa face artística cria, em quem se aproxima, um fascínio absoluto.

A – Era impactante perceber uma juventude destemida, ousada, vinda dos quatro cantos do país, trazendo seus sonhos, confrontando suas realidades, partilhando seus sentimentos, disposta a contribuir para a construção de um mundo melhor.

G – Essa vontade de se fazer voz, não passava somente por uma necessidade em nível teórico, mas era marcada pelo desejo de uma extensão corpórea, uma experiência que integrasse o ser na sua totalidade. Não só o Brasil inteiro se revelava em performances plenas de energias e criatividades, mas o nosso continente latino-americano. Esse olhar no mesmo palco, as características culturais de cada região, de cada país, abria novos horizontes, confrontando as nossas carências e utopias, revelando nossa alma criativa.

A – O curso trazia em seus painéis, pintados pelos artistas da caminhada, a síntese da reflexão dos conteúdos propostos para cada etapa e traduziam um forte clamor por justiça social. Muito mais do que palavras, a arte estava ali em pleno vigor, fazendo repensar conceitos a partir de outros paradigmas, mostrando a cara de uma realidade brasileira, desconhecida pelas grandes mídias.

G – Bem destacada pelo fundo preto de um teatro, símbolo de um espaço cultural e político de resistência contra a ditadura militar em nosso país, o Teatro da Universidade Católica (TUCA). OLHEM ESSAS PAREDES… MARCAS DE UMA HISTÓRIA de resistência com o sentido mais provocativo da rebeldia de uma arte perseguida porque revoluciona.

A – O celebrar no Curso de Verão, mais que o resgate de uma dimensão mística à luz de uma teologia inquietante, era pleno de simbologia e senso artístico, onde a dança das cores realçava o espaço físico e destacava os corpos acalorados tanto pela temperatura de verão como pela emoção de estar presente numa atuação que mistura utopia, arte e vida.

G – A voz que proclamava, tornava viva, atual e questionadora a palavra de um texto bíblico, ressaltava a esperança, animava as lideranças, um povo sofrido, na difícil caminhada popular. Como é forte o efeito de traduzir num canto, numa poesia, num painel, numa coreografia, numa performance teatral o direito de sonhar uma terra sem as demarcações que aprisionam e destroem o que é essencial!

A – A chama de uma vela na celebração, num contexto pleno de sentido, envolvida por uma atmosfera bem cuidada artisticamente… Era aquela luz que talvez estivéssemos precisando para recuperar nossa energia e seguir em frente de cabeça erguida, com a certeza que a trajetória pode ser difícil, mas a coragem é tamanha, a força é surpreendente, porque o caminho é iluminado. Essa experiência foi sentida na pele.

G – Bebemos juntos a água que acalanta a nossa sede de justiça.

A – Saboreamos os frutos da terra.

G – E os vimos em abundância invadir nosso espaço comum, nos fazendo sentir à emoção de uma terra como alimento para saciar todas as fomes.

A – A música intervinha nas discussões, estabelecendo um paralelo entre os vários conteúdos, destacando as melodias do rico cancioneiro popular brasileiro e de nossos artistas do canto e da música. E o resultado era uma atmosfera de plena energia, com corpos que se movimentavam, dançavam e sonhavam um mundo de alegria, paz e justiça.

G – A arte era presente assim, exuberante, em sintonia com uma juventude arrojada e questionadora, estabelecendo uma relação profunda entre os saberes e as experiências vividas.

A – Era evidente a necessidade de um aprendizado e aperfeiçoamento de talentos artísticos, permitindo que outras expressões fossem contempladas, colocando a arte no foco das discussões, ajudando a aprofundar, dinamizar e traduzir os conteúdos. Assim foram surgindo as oficinas no Curso de Verão, fazendo emergir um grande interesse dos participantes e um verdadeiro dinamismo na estrutura do curso.

G – VOCÊS SABEM QUANDO FOI O PRIMEIRO CURSO DE VERÃO? FOI EM 1988. Ali foi plantada a semente de um Curso de formação pastoral em forma de mutirão,

A – de massa (chegava a ter 1.000 participantes),

G – ecumênico,

A – e, claro, com o desafio: uma metodologia que contemplasse todos esses aspectos.

G – Realizada nos moldes da educação popular, que tem como ponto de partida o conhecimento que nasce da sabedoria das práticas dos grupos populares.

A – Formando sujeitos transformadores da sua própria realidade.

G – O primeiro dia do curso é a escuta das inquietações e experiências trazidas pelos participantes a partir de suas inserções:

A – nos movimentos sociais,

G – nos partidos políticos,

A – nas comunidades de base,

G – sistematizando e tomando-as como saber.

A – A educação popular como educação de classe, está definida num processo de construção de um projeto de sociedade que tenha o ser humano e suas necessidades como centrais,

G – que veja o ser humano como ser politico, social, cultural,

A – e não como máquina de produção e reprodução para capital.

G – Os desafios para essa educação popular e para o ecumenismo foram sendo enfrentados ao longo de sua historia.

CoroO CURSO DE VERÃO:

G – LUGAR DA ESPERANÇA,

A – DA REFLEXÃO COM ARTE,

G – DO ECUMENISMO,

A – DE DIÁLOGO E LIBERDADE.

A – Uma rede onde se criam laços a partir do respeito às diferenças:

G – Qual é a sua igreja?

A – Qual é a sua religião?

G – O que significa ser congregacional?

A – Ser metodista?

G – Ser pentecostal?

A – Ser de religiões de matriz africana?

G – Pertencer a um movimento de juventude?

A – Ou então às CEBs (Comunidades eclesiais de base)?

G – O que é isso?

Coro – O CURSO DE VERÃO É UM CURSO DE MUDANÇA DE MENTALIDADES.

G – SABE GENTE, o que mais me chamou a atenção no Curso de Verão foi essa experiência de mutirão. Uma palavra da nossa língua portuguesa, com uma riqueza semântica difícil de definir para outros idiomas.

A – Mais do que um simples trabalho coletivo,

G – colocando em comum, sonhos,

A – utopias,

G – forças,

A – experiências…

G – Que levasse em conta todas as dimensões da vida.

A – Mutirão de muitas mãos,

G – muitos pés,

A – muitas cabeças,

G – muitos saberes,

A – muitas cores,

G – de pão, laranjas e bananas,

Coro – E MUITOS AMORES…

A – O trabalho voluntário é organizado em várias equipes onde todos e todas são importantes dentro de sua especificidade para a realização do Curso. Essa lógica do mutirão é bem diferente daquela dominante na sociedade capitalista caracterizada pelo individualismo e pela busca frenética de resultados materiais.

G – E ninguém serve sem um sorriso e um aconchego!

Coro – O CURSO DE VERÃO FOI CONSTRUÍDO, E CONTINUA SENDO REPENSADO, NA DINÂMICA DO MUTIRÃO.

G – Sem o trabalho voluntário tudo isso não seria possível! Cada voluntário/a coloca a serviço do mutirão:

A – a sua experiência de inserção no meio popular e nas comunidades,

G – o seu saber e o seu jeito próprio de ver o mundo.

A – Desenvolvendo o processo formativo, num espírito fraterno e festivo, são realizados quatro encontros anuais, onde o curso é avaliado, planejado, organizado num esforço contínuo. Esse mutirão do Curso de Verão deixa marcas nas pessoas e elas levam com carinho as sementes que irão brotar em cada canto.

G – O Curso de Verão é um projeto de educação popular que se lança para o futuro para renovar nossas experiências,

A – fortalecer nossos sonhos,

G – partilhar nossos saberes,

A – encorajar quem está fora,

G – animar quem está no caminho,

A – disseminar a compaixão, embalar o coração que ama

G – e fazer o novo acontecer no aqui e agora da história.

A – E cada voluntário, voluntária desse mutirão,

G – não é mais um na multidão,

A – tem um rosto,

G – um nome, uma expressão,

A – uma cor, um saber, uma emoção,

G – um sorriso,

A – um abraço apertado

Coro – E UM SONHO DE PAZ!

 

2018-07-12T22:17:15-03:00

Um comentário

  1. Maria Elizabeth Sanches 17 de janeiro de 2017 at 13:03 - Reply

    Equipe do Curso de Verão,

    Gratidão por esse trabalho maravilhoso. Tenha as bênçãos de Deus para que esta missão de Educação popular possa cada vez mais chegar a muitas pessoas.
    Já participei muitas vezes do Curso de Verão e considero fantástico. Gostaria que todas as pessoas pudessem participar. Este ano eu não participei, mas senti muito a falta e saudades de todos.
    Um abraço.
    Maria Elizabeth

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