Saiba mais sobre a temática do 29º Curso de Verão

12309853_902573019827941_2880069048161521447_o“Em nenhum momento o sistema irá parar para passar a funcionar de outra maneira. Trata-se de introduzir as mudanças necessárias nas mais diversas dimensões da organização econômica, aproveitando cada brecha que se abre, sem esperar a eterna utopia no horizonte distante. Para isso, precisamos entender os mecanismos do mundo econômico tal como funciona, pois é este mundo concreto que se trata de transformar”.

Um dos assessores do Curso, o professor Ladislau Dowbor – economista, professor da PUC-SP, autor de numerosos livros sobre economia e sua dimensão social e política -, que falará do tema “O Sistema Financeiro atual trava o desenvolvimento econômico do País”, mandou um artigo para o site do Ceseep dando linhas gerais do que abordará em sua palestra.

O artigo é só uma palhinha do que o professor Ladislau irá abordar. O cursista que já fez a inscrição já pode ir se preparando para esses dias de curso. E quem ainda não se inscreveu, ou está em dúvida aproveita para se animar e participar desse 29º Curso de Verão.

Com o tema “Economia promotora dos direitos humanos ambientais”, acontece de 6 a 14 de janeiro, na PUC-SP, o 29º Curso de Verão.

Promovido pelo Ceseep (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização Popular), o Curso é um espaço ecumênico e inter-religioso que visa à formação popular no campo sócio-político-cultural, a partir da realidade e seus desafios, à luz da Bíblia, Teologia, Pastoral e do empenho na transformação da sociedade. A temática oferecida pelo Curso de Verão 2016 quer dar mecanismos para que os participantes possam entender a atual crise econômica local e mundial.

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Economia promotora dos direitos sociais e ambientais

No essencial, trata-se de colocar a economia a nosso serviço, em vez de sermos nós a serví-la. Hoje qualquer atividade mesmo danosa, como os excessos de uso de agro-tpoxicos ou a especulação 11986407_901954663223110_5218709103026491140_nfinanceira, é considerada positiva, conquanto gere emprego, nos tire do sufoco de não termos como assegurar a sobrevivência da família. Trata-se de inverter a equação, de produzirmos maior qualidade de vida para todos, e de recolocar a economia no seu devido lugar. O objetivo é conhecido, queremos uma sociedade econômicamente viável, socialmente justa, ambientalmente sustentável, num clima de liberdade responsável. Precisamos ampliar a democracia.

Em nenhum momento o sistema irá parar para passar a funcionar de outra maneira. Trata-se de introduzir as mudanças necessárias nas mais diversas dimensões da organização econômica, aproveitando cada brecha que se abre, sem esperar a eterna utopia no horizonte distante. Para isso, precisamos entender os mecanismos do mundo econômico tal como funciona, pois é este mundo concreto que se trata de transformar.

O primeiro eixo de transformações a se entender é a dinâmica tecnológica que está mudando o planeta, mudando o nosso cotidiano, impactando as nossas vidas e o planeta, no quadro do chamado antropoceno. As tecnologias de informação e comunicação, a bioengenharia, a nanotecnologia, os novos materiais, a matriz energético – há uma profunda revolução em curso que desempenha um papel fundamental tanto em termos de ameaças como de novas oportunidades. As tecnologias avançam muito mais rapidadmente do que a nossa capacidade de organização social, de governança.

O segundo eixo é o que temos chamado de globalização, processo que navega nas novas tecnologias tanto pela conectividade planetária como pelo deslocamento das atividades profissionais para a economia do conhecimento. O sistema financeiro hoje desconhece fronteiras e constitui uma atividade mundial, enquanto os sistemas de regulação continuam sendo fragmentados em espaços nacionais. Gera-se um desgoverno planetário, uma perda de capacidade de organização dos nossos recursos segundo as nossas necessidades. O processos decisório da sociedade torna-se desajustado.

O terceiro eixo refere-se aos desequilíbrios sistêmicos que as dinâmicas mencionadas geram: o drama ambiental, o drama social, e o absurdo mecanismo que preside ao uso dos recursos financeiros. Basicamente, estamos destruindo o planeta para o proveito de uma minoria, enquanto o essencial dos nossos recursos gira em sistemas de especulação improdutiva. Não se trata da falta de recursos, ou de conhecimento, mas da organização do próprio processo decisório. Assistimos à absurda acumulação de capital improdutivo, de enriquecimento parasitário.

O quarto eixo apresenta uma visão geral do potencial de uma economia mista: recuperar as rêdeas do nosso desenvolvimento implica irmos além das simplificações ideológicas, e nos debruçarmos sobre como funcionam e como podem ser alteradas as áreas concretas da economia, quais sejam as atividades de produção de bens e serviços, as infraestruturas, a intermediação financeira e as políticas sociais. Somos uma sociedade demasiada complexa para que a simples estatização ou privatização resolva.

O quinto eixo se refere às formas de organização da chamada governança: o papel do Estado, das empresas e da sociedade civil, o resgate da autonomia do Estado relativamente aos grandes grupos econômicos, a difícil evolução para a democracia participativa. Trata-se aqui de estudar as diversas formas que a sociedade tem encontrado para recuperar as rêdeas do desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Finalmente, serão discutidas as ferramentas de que hoje dispomos: o potencial da transparência que as novas tecnologias podem assegurar; a ampliação das atividades colaborativas no quadro da economia do conhecimento e da conectividade global; o imenso papel que podem desempenhar as cidades como espaço participativo da política; os avanços das formas de avaliação de resultados, ultrapassando o conceito de PIB; a importância da estatística descritiva como ferramento de conhecimento dos processos de transformação e de avaliação; o resgate do planejamento como ferramenta de democratização da economia.

O curso prevê seis sessões de 2 horas sobre o novo quadro de referência da governabilidade e os novos instrumentos de gestão que estão surgindo. O mni-curso é ministrado em dois dias: as 3 primeira sessões com aulas expositivas, e na tarde do segundo dia síntese e discussão de ferramentas de trabalho.

Os textos que serão utilizados estão todos disponíveis online, na íntegra e gratuitamente, no blog http://dowbor.org

Ladislau Dowbor

Janeiro de 2016

 

2018-08-22T13:28:43+00:00

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